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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Existe conexão entre Matemática e Arte?

Desenhos nas cavernas


A  ciência  Matemática  surgiu  para  resolver problemas  de  ordem  prática,  seja  para  diferenciar  quantidades,  analisar espaços ou prever o período de possíveis colheitas. Atualmente Matemática está presente nos diversos campos da atividade humana contribuindo na estrutura do pensamento e do  raciocínio dedutivo. 




Já a Arte surgiu  como  linguagem,  como manifestação  do  homem  em  estabelecer  formas  de  comunicação e atualmente propicia a expansão do mundo cultural dos indivíduos abrindo espaço à participação social, mobiliza sentidos e capacidades essenciais para o desenvolvimento humano, como imaginação e observação. 


Aparentemente antagônicas, tanto Matemática quanto Arte surgiram das necessidades humanas. De fato, encontra-se nas cavernas desenhos pré-históricos, como também  de registro  de  contagens,  mostrando  uma  conexão  entre  as  duas  áreas  do conhecimento desde os primórdios. A Matemática e a  Arte se integram  em  vários caminhos favorecendo o desenvolvimento do pensamento crítico, da autonomia intelectual, da sensibilidade e da criatividade.


Para o professor Irineu Bicudo (2003), a origem da palavra matemática, vem do grego e em textos antigos apresenta-se como aprender por experiência,  ou  ainda  como  conhecimento,  aprendizagem,  ou  “aquilo  que  é aprendido”. D`Ambrosio (2005) define os termos máthema como ensinar (equivalente a conhecer, entender, explicar) e  techné como  tica  (correspondendo  a  técnicas  e  artes).  Logo,  conclui-se  que Matemática  é  conhecer  técnicas,  ensinar artes,  ou ainda  entender  técnicas  e artes. 


Segundo o dicionário do Aurélio, Arte é a capacidade que o homem  tem de colocar em prática uma idéia e ela pode ser manifesta por meio de elementos visuais e táteis, reproduzindo formas da natureza ou realizando formas imaginarias. Compreendem, entre outras, o desenho, a pintura, a gravura e a escultura. Devlin (2004), afirma que a matemática é a ciência dos padrões, da ordem e da regularidade. E complementa  que  matemática  é a ciência da beleza das formas,  da  intuição,  da  criatividade. Logo, conclui-se  que não é possível existir Matemática sem imaginação, nem arte sem conhecimento.


Obras de Arte
Thuillier (1994), enfatiza a necessidade dos artistas do  Renascimento, usar em suas obras, recursos matemáticos,  principalmente  ligados  à  perspectiva e  à  utilização  do número áureo. Os  usos  de  tais  relações matemáticas inferem diretamente na observação da natureza, por parte dos filósofos gregos, detentores do conhecimento formal matemático ao qual  denominaram de Geometria. Doczi (1990), analisa as produções humanas voltadas à Arte  relacionando-as com a Matemática. 


De acordo, Fainguelernt e Nunes (2006), Matemática e Arte desenvolver a intuição  e  a  imaginaçãoo, além disso, o exercício de ambas é uma atividade fundamental para o desenvolvimento integral do ser humano e, consequentemente, é essencial para a evolução da própria sociedade. Ele possibilita ao cidadão sua inserção no mundo do trabalho, das relações sociais e da cultura.


Referências:
 
BICUDO,  Irineu.  O  Nome  “Matemática”  Folhetim  de  Educação  Matemática. Feira de Santana: UEFS, 2003.
 
D’ AMBROSIO, Ubiratan. Um Enfoque Transdisciplinar à Educação e à História da  Matemática. In:  BICUDO,  Maria  Aparecida  Viggiani  e  BORBA,  Marcelo  de Carvalho  (org).  Educação  Matemática,  pesquisa  em  movimento.  São  Paulo: Cortez, 2005.

DEVLIN, Keith. O Gene da Matemática. Rio de Janeiro: Record, 2004.

DOCZI, György. O Poder dos Limites: Harmonias e Proporções na Natureza, Arte e Arquitetura. São Paulo: Mercuryo, 2006.

FAINGUELERNT, Estela Kaufman; NUNES, Kátia Regina Ashton. Fazendo Arte  com  a Matemática. Porto Alegre: Artmed, 2006. 

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurelio: versão 5.0 edição revista e atualizada: Dicionário eletrônico. Curitiba: Positivo, 2006.

THUILLIER,  Pierre.  De  Arquimedes  a  Einstein:  A  face  oculta  da  invenção científica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1994.

NETO, Alfredo G. Lima. Autor de uma das figuras da imagem inferior ( a primeira do lado direito).


domingo, 15 de maio de 2011

"Matemática e Arte"

Matemática e Arte não estão totalmente separadas como pensamos. São duas formas de conhecimento  que  se  desenvolvem  paralelamente  e  muitas vezes estão ligadas para representar, criar e explicar o nosso meio, em outras palavras,  temos que a criatividade, a beleza, a universalidade, a simetria e o dinamismo, são qualidades que frequentemente usamos quando nos referimos quer à  Matemática quer à Arte.  Os pontos em comum são tantos que não podemos de modo nenhum pensar na Arte e na Matemática como campos completamente distintos.

"Os filósofos que afirmam que a Matemática não tem nada a ver com a Estética, estão seguramente errados. A Beleza é de fato o objeto principal do raciocínio e das demonstrações matemáticas"
Aristóteles

Com efeito, quando se pensa em Arte e Matemática, lembramos de beleza e rigôr que são comuns a ambas. Além dissso, a Matemática tem um notável potencial de revelação de estruturas e padrões que nos permitem compreender o mundo que nos rodeia, ou seja, Matemática está estruturada e organizada. Quando usamos Matemática e arte desenvolvemos uma capacidade de imaginar mundos diferentes, como também a possibilidade de comunicar essas imaginações de forma clara e não ambígua.  

 "O matemático, tal como o pintor ou o poeta, é um criador de padrões. Um pintor faz padrões com formas e cores, um poeta com palavras e o matemático com ideias. Todos os padrões devem ser belos. As ideias, tal como as cores, as palavras ou os sons, devem ajustar-se de forma perfeita e harmoniosa."
 Hardy

É antigo o fascínio dos matemáticos pela estética, bem como a proximidade dos artistas com esta ciência exata. De fato, os arquitetos da Grécia Antiga, no séc. V a.C., tinham consciência do efeito harmonioso do retângulo de ouro que inspiraram à exprimirem as suas obras. Esta procura da harmonia das formas tem sido uma constante ao longo dos tempos.

 “O  homem  fez  arte  usando matemática,  e  construiu matemática  observando  as  artes”. 
Barco

Mas muitos outros conceitos matemáticos, tais como as proporções, a simetria, as ilusões de óptica, a geometria projetiva e o infinito, influenciaram, embora nem sempre de modo consciente e explícito, muitos artistas ao longo dos séculos. Um exemplo disso são os pintores e escultores renascentistas que investigaram novas soluções para problemas visuais formais e que realizaram, muitos deles, experiências científicas. Neste contexto, surgiu a perspectiva linear, conceito matemático que revolucionou as correntes artísticas e contribuiu para o desenvolvimento da Arte.

"A nova arte deverá basear-se na ciência - em particular na matemática, como a mais exata, lógica e impressionantemente construtiva das ciências"
Leonardo da Vinci 

Atualmente as atividade artística de Klee, Kandinsky, Vasarely, Corbusier, Xenakis, e muitos outros deixaram-se fascinar pela Matemática que exploraram com novas possibilidades ópticas, novos algoritmos de criação, novas geometrias (não euclideanas, fractais, etc) que em muitos casos são potenciados pelo uso da computação, síntese sonora, e outras potencialidades técnicas.

Referência:

BARCO, Luiz. Série: Arte e Matemática. TVE / Rede Brasil, 2005.
Blog: A Arte na Matemática
Site: CMPU
Site: Cyberartes

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